A IA, os juízes e o brinco sussurrante (4)

A ossificação do Direito

Como vimos no artigo anterior, o mundo da IA é o passado: todas as suas criações reproduzem necessariamente os dados com que foi alimentada. Falta-lhe um componente que é — e com toda probabilidade continuará sendo — próprio e exclusivo do ser humano: a consciência.

A consequência desse fato é que as ferramentas de IA são incapazes de adaptação e inovação. Jamais, por iniciativa própria, essas ferramentas serão capazes de divergir das conclusões a que serão conduzidas pelos dados com que foram treinadas. Estarão sempre limitadas pelo que os estudiosos chamam de “mimetismo retrospectivo”.

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A ausência de doutrina nas ferramentas de IA jurídicas: um viés inesperado?

Com a proliferação de ferramentas de inteligência artificial como suporte a decisões judiciais e ao trabalho dos demais profissionais do Direito, impõe-se uma pergunta: é admissível um assistente de IA para decisões judiciais cuja base de dados seja apenas o repertório de decisões de todos os tribunais do país, com exclusão da doutrina, o que implica considerar que a doutrina não é uma fonte material e ferramenta hermenêutica do Direito?

Curiosamente, a resposta – negativa – nos é dada pela Deepseek, uma das IAs disponíveis no mercado:

…[A doutrina é] uma fonte material fundamental e a principal ferramenta de interpretação, integração e crítica do Direito. Ela sistematiza o direito positivo, revela lacunas, resolve antinomias, propõe interpretações evolutivas e constrói os conceitos que moldam a própria jurisprudência.

Excluir a doutrina da base de dados é ignorar o ‘mapa’ e o ‘manual de engenharia’, deixando apenas o ‘rastro’ das decisões passadas.”

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Escrever é pensar?

O escultor começa sempre com uma ideia clara de como deve ser a obra a ser executada. Contudo, na medida em que o cinzel começa a desbastar o mármore, as propriedades particulares do material podem forçá-lo a modificar o projeto. Ao mesmo tempo, novas ideias lhe ocorrem enquanto prossegue na execução da escultura.

Esta é uma metáfora adequada para a escrita.

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Como as histórias transformam o cérebro humano, a empatia, a memória e o comportamento

“Pesquisas em psicologia e neurociência sugerem que as histórias são muito mais do que entretenimento. Elas são uma das principais formas pelas quais os seres humanos aprendem, se conectam e compreendem a si mesmos e aos outros. As histórias nos permitem simular experiências, entender outras mentes, regular emoções e fortalecer os laços sociais dos quais as sociedades dependem. Uma descoberta recorrente é que as histórias exercitam nosso cérebro social. Elas fortalecem partes do cérebro que usamos para nos relacionar e nos conectar com os outros, especialmente os sistemas cognitivos responsáveis ​​pela empatia, teoria da mente e regulação emocional. Como observa a doutora em neurociência e escritora científica Aditi Subramaniam , a ficção, em particular, “é um tipo de simulação cognitiva que nos permite praticar habilidades sociais e emocionais em um ambiente de baixo risco”.”

Fonte:
https://www.nakedcapitalism.com/2026/07/how-stories-change-the-human-brain-empathy-memory-and-behavior.html

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Uma modesta proposta para a reforma do Judiciário

Tem havido muita discussão sobre a necessidade de uma reforma do Poder Judiciário e criação de um código de ética para o Supremo Tribunal Federal. Os fatos que têm levado a esse debate são conhecidos de todos e tiveram ampla repercussão nacional. Envolvem ministros do STF e seus familiares e levantam suspeitas de conflito de interesses, tráfico de influência e falta de transparência.

O caso mais emblemático é o do contrato do Banco Master com o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes, no valor de R$ 129 milhões, com pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões.

Pelo menos outros 12 parentes de ministros do STF estariam atuando nessa corte, noticia-se. O fato é potencialmente capaz de gerar suspeitas de falta de isenção.

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Tribunal sueco condena o Google a pagar US$ 1,5 bilhão à Klarna a título de indenização por violação das leis antitruste

Um tribunal sueco determinou que o Google deve pagar 15 bilhões de coroas suecas (aproximadamente US$ 1,5 bilhão) em danos à Klarna (dona do site de comparação de preços Pricerunner) por abuso de posição dominante. A ação, ajuizada em 2022, acusa o Google de favorecer seus próprios serviços de comparação de compras nos resultados de busca, em violação às leis antitruste da União Europeia. A decisão se baseia em decisões anteriores da UE, que já haviam confirmado que o Google manipula resultados de busca para beneficiar seus serviços, prejudicando concorrentes como o Pricerunner.


Fonte:

Reuters (01/07/2026).

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A IA, os juízes e o brinco sussurrante (3)

O que a IA é e o que ela não é

Conta-se que, em 1787, a Imperatriz Catarina II planejou uma viagem à Crimeia, que fora anexada ao império russo poucos anos antes.

Segundo a lenda, o príncipe Potemkin, que governava a província, ordenou a construção de fachadas pintadas ao longo das margens do rio Dnieper, que simulavam a existência de aldeias, de forma a esconder a pobreza da região e impressionar a imperatriz. Essas fachadas eram rapidamente desmanteladas e reerguidas mais adiante, no trajeto percorrido pela governante.

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Novo estudo sobre como a IA pode causar psicose

Um novo artigo científico, publicado na revista Digital Psychiatry and Neuroscience (da Nature Portfolio) por psiquiatras do King’s College London e de uma universidade alemã, propõe uma nova explicação para o fenómeno conhecido como “psicose por IA”, em que utilizadores de chatbots entram em crises de saúde mental com delírios após o uso intensivo desta tecnologia.

Os investigadores introduzem o conceito de “espiral de amplificação”, sugerindo que, em vez de serem apenas receptores passivos de ideias delirantes, os chatbots podem ativamente coconstruir narrativas delirantes com os utilizadores através da combinação de três características de design:

  1. Alinhamento linguístico: A IA espelha o estilo e os padrões de fala do utilizador, gerando uma forte sensação de proximidade, confiança e camaradagem.

  2. Hiperpersonalização: A IA adapta as respostas com base no histórico e ideias do utilizador, dando a ilusão de que pensa da mesma forma que ele.

  3. Adulação (sicofantismo) da IA: A tendência do chatbot para validar as ideias do utilizador sem qualquer teste de realidade ou contexto.

Ao contrário dos delírios tecnológicos tradicionais do passado (onde as pessoas acreditavam que a rádio ou a televisão lhes falavam), a IA interage de forma contínua em linguagem natural, servindo como um validador com autoridade e um “parceiro de pensamento” que ajuda a expandir o delírio. Embora a estrutura seja ainda uma hipótese baseada na revisão de registros de conversas de utilizadores que sofreram estas espirais, os autores alertam que fatores como doenças mentais preexistentes, o viés de confirmação e a privação de sono potencializam o risco. Como recomendação, os profissionais de saúde devem começar a questionar rotineiramente os pacientes em surto psicótico sobre a intensidade e a frequência do uso de chatbots de IA.

Fonte: Futurism – New Paper Proposes What Really Causes AI Psychosis

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O Google tem um balcão de referência secreto. Veja como usá-lo.

40 recursos do Google para encontrar exatamente o que você precisa, os mecanismos de busca alternativos que fazem coisas que o Google não faz e a estrutura de referência subjacente a tudo isso.

Fonte:
https://cardcatalogforlife.substack.com/p/google-has-a-secret-reference-desk

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Há algo em ser muito rico…

“Há algo em ser muito rico e imune às consequências de seus atos que o torna solipsista. Você não pode ganhar bilhões de dólares sem prejudicar muita gente. E você não pode prejudicar muita gente sem, de certa forma, acreditar que elas não são realmente pessoas.” (Cory Doctorow)

Fonte: https://www.theguardian.com/technology/2026/jun/24/cory-doctorow-on-elon-musk-ai-bubble-bosses-cruel-fantasies

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