Como as histórias transformam o cérebro humano, a empatia, a memória e o comportamento

“Pesquisas em psicologia e neurociência sugerem que as histórias são muito mais do que entretenimento. Elas são uma das principais formas pelas quais os seres humanos aprendem, se conectam e compreendem a si mesmos e aos outros. As histórias nos permitem simular experiências, entender outras mentes, regular emoções e fortalecer os laços sociais dos quais as sociedades dependem. Uma descoberta recorrente é que as histórias exercitam nosso cérebro social. Elas fortalecem partes do cérebro que usamos para nos relacionar e nos conectar com os outros, especialmente os sistemas cognitivos responsáveis ​​pela empatia, teoria da mente e regulação emocional. Como observa a doutora em neurociência e escritora científica Aditi Subramaniam , a ficção, em particular, “é um tipo de simulação cognitiva que nos permite praticar habilidades sociais e emocionais em um ambiente de baixo risco”.”

Fonte:
https://www.nakedcapitalism.com/2026/07/how-stories-change-the-human-brain-empathy-memory-and-behavior.html

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Uma modesta proposta para a reforma do Judiciário

Tem havido muita discussão sobre a necessidade de uma reforma do Poder Judiciário e criação de um código de ética para o Supremo Tribunal Federal. Os fatos que têm levado a esse debate são conhecidos de todos e tiveram ampla repercussão nacional. Envolvem ministros do STF e seus familiares e levantam suspeitas de conflito de interesses, tráfico de influência e falta de transparência.

O caso mais emblemático é o do contrato do Banco Master com o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes, no valor de R$ 129 milhões, com pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões.

Pelo menos outros 12 parentes de ministros do STF estariam atuando nessa corte, noticia-se. O fato é potencialmente capaz de gerar suspeitas de falta de isenção.

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Tribunal sueco condena o Google a pagar US$ 1,5 bilhão à Klarna a título de indenização por violação das leis antitruste

Um tribunal sueco determinou que o Google deve pagar 15 bilhões de coroas suecas (aproximadamente US$ 1,5 bilhão) em danos à Klarna (dona do site de comparação de preços Pricerunner) por abuso de posição dominante. A ação, ajuizada em 2022, acusa o Google de favorecer seus próprios serviços de comparação de compras nos resultados de busca, em violação às leis antitruste da União Europeia. A decisão se baseia em decisões anteriores da UE, que já haviam confirmado que o Google manipula resultados de busca para beneficiar seus serviços, prejudicando concorrentes como o Pricerunner.


Fonte:

Reuters (01/07/2026).

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A IA, os juízes e o brinco sussurrante (3)

O que a IA é e o que ela não é

Conta-se que, em 1787, a Imperatriz Catarina II planejou uma viagem à Crimeia, que fora anexada ao império russo poucos anos antes.

Segundo a lenda, o príncipe Potemkin, que governava a província, ordenou a construção de fachadas pintadas ao longo das margens do rio Dnieper, que simulavam a existência de aldeias, de forma a esconder a pobreza da região e impressionar a imperatriz. Essas fachadas eram rapidamente desmanteladas e reerguidas mais adiante, no trajeto percorrido pela governante.

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Novo estudo sobre como a IA pode causar psicose

Um novo artigo científico, publicado na revista Digital Psychiatry and Neuroscience (da Nature Portfolio) por psiquiatras do King’s College London e de uma universidade alemã, propõe uma nova explicação para o fenómeno conhecido como “psicose por IA”, em que utilizadores de chatbots entram em crises de saúde mental com delírios após o uso intensivo desta tecnologia.

Os investigadores introduzem o conceito de “espiral de amplificação”, sugerindo que, em vez de serem apenas receptores passivos de ideias delirantes, os chatbots podem ativamente coconstruir narrativas delirantes com os utilizadores através da combinação de três características de design:

  1. Alinhamento linguístico: A IA espelha o estilo e os padrões de fala do utilizador, gerando uma forte sensação de proximidade, confiança e camaradagem.

  2. Hiperpersonalização: A IA adapta as respostas com base no histórico e ideias do utilizador, dando a ilusão de que pensa da mesma forma que ele.

  3. Adulação (sicofantismo) da IA: A tendência do chatbot para validar as ideias do utilizador sem qualquer teste de realidade ou contexto.

Ao contrário dos delírios tecnológicos tradicionais do passado (onde as pessoas acreditavam que a rádio ou a televisão lhes falavam), a IA interage de forma contínua em linguagem natural, servindo como um validador com autoridade e um “parceiro de pensamento” que ajuda a expandir o delírio. Embora a estrutura seja ainda uma hipótese baseada na revisão de registros de conversas de utilizadores que sofreram estas espirais, os autores alertam que fatores como doenças mentais preexistentes, o viés de confirmação e a privação de sono potencializam o risco. Como recomendação, os profissionais de saúde devem começar a questionar rotineiramente os pacientes em surto psicótico sobre a intensidade e a frequência do uso de chatbots de IA.

Fonte: Futurism – New Paper Proposes What Really Causes AI Psychosis

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O Google tem um balcão de referência secreto. Veja como usá-lo.

40 recursos do Google para encontrar exatamente o que você precisa, os mecanismos de busca alternativos que fazem coisas que o Google não faz e a estrutura de referência subjacente a tudo isso.

Fonte:
https://cardcatalogforlife.substack.com/p/google-has-a-secret-reference-desk

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Há algo em ser muito rico…

“Há algo em ser muito rico e imune às consequências de seus atos que o torna solipsista. Você não pode ganhar bilhões de dólares sem prejudicar muita gente. E você não pode prejudicar muita gente sem, de certa forma, acreditar que elas não são realmente pessoas.” (Cory Doctorow)

Fonte: https://www.theguardian.com/technology/2026/jun/24/cory-doctorow-on-elon-musk-ai-bubble-bosses-cruel-fantasies

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Zhuangzi e o caso contra a meritocracia

O ensaio “Zhuangzi and the case against meritocracy” (Zhuangzi e os argumentos contra a meritocracia) aborda como o filósofo taoista clássico Zhuangzi oferece uma crítica profunda e atemporal à ideia de mérito, muito antes de o termo moderno “meritocracia” ser cunhado.

Aqui está o resumo dos pontos principais defendidos no texto:

  • A Crítica à “Utilidade” Convencional: Em vez de celebrar o talento, o esforço ou a utilidade social (pilares da meritocracia e centrais nas escolas rivais da época, como o Confucionismo e o Moísmo), Zhuangzi valoriza o que parece “inútil”. Através de fábulas como a da árvore torta — que sobrevive justamente por sua madeira não servir para os carpinteiros —, o filósofo mostra que as definições de mérito impostas pelo Estado ou pela sociedade são arbitrárias e, muitas vezes, prejudiciais para o próprio indivíduo.

  • O Perigo de Moldar as Pessoas: O ensaio destaca o conceito de que sistemas meritocráticos forçam os indivíduos a se moldarem a padrões externos de excelência. Para Zhuangzi, isso violaria a natureza intrínseca de cada ser (ziran). O texto evoca a famosa metáfora do pássaro marinho que morre porque o governante tenta alimentá-lo com banquetes humanos e música clássica: o que é excelente para um sistema ou grupo pode ser destrutivo para outro.

  • Humildade Epistêmica contra Elites Intelectuais: A meritocracia tende a criar uma hierarquia baseada no conhecimento ou na capacidade técnica, o que gera arrogância nos que vencem e humilhação nos que falham. Zhuangzi contrapõe isso defendendo os limites do conhecimento humano. Ninguém detém um critério universal sobre o que é o “correto” (shi) ou “incorreto” (fei).

  • Uma Alternativa de Convivência: Em vez de uma sociedade baseada em testes, competição e classificação de valor humano, o pensamento derivado de Zhuangzi propõe uma harmonia baseada no pluralismo e no respeito à diversidade de caminhos existenciais, onde as pessoas possam “vadiar livremente” (xiaoyaoyou) sem a pressão de provar constantemente o seu valor ou utilidade produtiva.

Fonte:

https://aeon.co/essays/zhuangzi-and-the-case-against-meritocracy

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A IA, os juízes e o brinco sussurrante (2)

A descarga cognitiva

A descarga cognitiva, referida no primeiro artigo desta série, consiste no uso de recursos externos à cognição humana para o efeito de reduzir o esforço mental, preservando o uso da própria cognição para atividades mais significativas ou importantes.

Não há problema, por exemplo, no uso de uma calculadora em atividades de rotina destituídas de maior importância.

Outro é o caso, entretanto, no que diz respeito à inteligência artificial. Atribuir a ela, sistematicamente, tarefas com o grau de complexidade que se pode encontrar na feitura de uma decisão judicial tem como consequência a atrofia cognitiva.

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Os tribunais corporativos secretos

O artigo aborda o sistema de “arbitragem forçada” nos Estados Unidos, um mecanismo privado e secreto de resolução de disputas que tem sido amplamente utilizado por grandes corporações para evitar o sistema público de justiça e bloquear ações coletivas. Com base em uma entrevista com o autor Brendan Ballou, o texto explica que esse sistema teve origem em uma lei de 1925, destinada originalmente a resolver disputas entre comerciantes. No entanto, a partir de 1984, a Suprema Corte expandiu drasticamente seu uso sob a justificativa (considerada um mito pelo autor) de conter uma suposta “explosão de litígios” frívolos, criando o que hoje é um “sistema de justiça paralelo”.

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